Mais um outro poema
Escrevi presenciando uma discussão na Av. São João às 22h00. Surreal
Revelação
Quem já viu
dois mudos
brigando
sabe o que são mãos gritando.
Escrevi presenciando uma discussão na Av. São João às 22h00. Surreal
Revelação
Quem já viu
dois mudos
brigando
sabe o que são mãos gritando.
Postado por
Julia
às
18:45
4
comentários
Zeus
Não é porque a lua se perdeu em ti
Que agora és seu dono.
Deixa que me ilumine um pouco
Guie, sorria, cresça e
mingüe.
Não é porque o Sol explodiu em ti
Que agora és seu senhor.
Deixa que me queime um pouco
Brilhe, nasça, culmine e
ponha.
Não é porque o mar fluiu de ti
Que agora és seu mestre.
Deixa que me molhe um pouco
Corra, suba, encha e
baixe.
Careço de ciclos,
os ciclos
os ciclos...
Postado por
Julia
às
00:51
0
comentários
A Aninha-Quati-linda lançou lá no blog dela, o Peixe de Aquário, o desafio de escrever um poema sobre a formação do mundo em 2 linhas.
Aqui vai minha tentativa:
Zeus
És senhor do mundo
Deixa que brilhe, nasça, culmine e ponha
Alguém se topa desafiar? Coloquem suas tentativas nos comentários!
Mais um:
disse o homem
Ele me deu o mundo
mas esqueceu o manual de instruções...
Postado por
Julia
às
00:17
0
comentários
Desapego
Deixar pra trás as flores ofertadas,
as óperas bradadas,
as fotografias amareladas,
as comidas digeridas.
Abandonar os hábitos arraigados,
os filmes chorados,
os telefonemas recebidos,
os presentes dados.
Mas nunca se esquecer
da paixão revelada
do amor feito
e da dor partida.
Postado por
Julia
às
00:50
4
comentários
Postado por
Julia
às
19:28
2
comentários
Hoje é sábado, amanhã é domingo, e eu estou aqui escrevendo, plagiando o Vinícius (de Moraes, não o Davidovitch, que é sempre bom esclarecer caso haja egos inflados por aí...).
E ninguém mais apropriado que o mulherengo mais famoso do Brasil para ser o muso-inspirador dessa coluna semanal. Adoro o Vinícius, porque além de mulherengo, era o maior beberrão (diga-se de passagem, característica que muito se assemelha a esta colaboradora que vos escreve).
Mas voltando ao tópico (se é que ele existe) vou falar de “relações pessoais”. É claro que esse assutno pode ser muito estimulante, como pode ser escasso. Sobre relacionamentos, não que eu seja uma conselheira amorosa certificada pela Associação dos Desiludidos, mas acho que posso às vezes apontar uma luz no fim do túnel para alguns desesperados. Ou não, e apenas dar o empurrãozinho pra pular da ponte, nunca se sabe o que os discursos honestos femininos podem fazer com alguém mais sensível.
Principalmente quando se fala de homem. “Os bares estão repletos de homens vazios”. E o poetinha estava certíssimo. Me pergunto como vocês, cuecas, são capazes de, às vezes, ser tão vazios. Não, queridos homens, não pulem da ponte. Pelo menos não ainda!!! Não é um ataque amargurado a ninguém, nem discurso de ressentimento. E não é uma generalização. É uma constatação do óbvio, como diria Ana Rüsche (plagiando o Paulo Ferraz).
Um exemplo clássico de homem esvaziado é o tipo mulherengo que eu apelido de “metralhadora sem bala”. É capaz de atirar pra todo lado, mas acaba não acertando ninguém. Eventualmente até pode acertar um alvo... Mas o mais comum é que ele seja acertado pela moça mais moderninha que se arriscar.O fracasso desse 'tipo' se dá, principalmente, quando as investidas são entre moçoilas de um mesmo círculo. É bem vazio mesmo achar que a moça-alvo não percebe a falta de exclusividade das cantadas, e pior, achar que se ela percebe, o atirador ainda tem chances tem sucesso com algumas das convives.
O pior meeeesmo é quando o metralhador não desiste, e começa o assédio... Assediar a moça-alvo numa tentativa desesperada é bem comum. E patético. Como achar que se conquista uma senhora (das respeitáveis) passando a mão na bunda? Tudo hipoteticamente falando, é claro.
Tem também o desdém... Desdenhar o alvo quando ela fala, muito lucidamente, da falta de critério do atirador, afirmando que mulher nenhuma (das respeitáveis) quer homem que atira pra todo lado... Aí desdenha, achando que se fizer pouco caso a moça cede. Cede nada!!! Quem desdenha quer comprar já diria Esopo.
E tem até a negação... “Não, não, nunca dei em cima!”. Deixe, deixe, a gente sabe que deu. E sabe que quer!Tem quem diga que a necessidade de disseminar (literalmente falando) a espécie que move o metralhador-vazio pra todos os lados. Eu particularmente acho desculpa esfarrapada pra aumentar as possibilidades de se dar bem com um mínimo esforço. Não se empenha com ninguém, mas tenta com todo mundo.
O que esse tipo não percebe é que, no fim, as possibilidades de acertar um alvo sendo um franco-atirador são muito maiores. Ainda que o franco-atirador tenha muito mais trabalho (e paciência) na conquista da moça, sua taxa de sucesso deve ser muito superior à de uma metralhadora sem balas...
Mas isso é só empirismo. Um dia ainda vou provar cientificamente as vantagens de ser franco-atirador...
Postado por
Julia
às
15:45
0
comentários
Antelación del amor
Ni la intimidad de tu frente clara como una fiesta
ni la privanza de tu cuerpo, aún misterioso y tácito y de niña,
ni la sucesión de tu vida situándose en palabras o acallamiento
serán favor tan persuasivo de ideas
como el mirar tu sueño implicado
en la vigilia de mis ávidos brazos.
Virgen milagrosamente otra vez por la virtud absolutoria del sueño,
quieta y resplandeciente como una dicha en la selección del recuerdo,
me darás esa orilla de tu vida que tú misma no tienes,
Arrojado a la quietud
divisaré esa playa última de tu ser
y te veré por vez primera quizás como Dios ha de verte,
desbaratada la ficción del Tiempo
sin el amor, sin mí.
Jorge Luis Borges
Postado por
Julia
às
01:01
0
comentários


Postado por
Julia
às
22:59
4
comentários
Postado por
Julia
às
00:03
1 comentários
Como vocês sabem, eu e a Marocas postamos às terças-feiras no blog Tantaprosa. O post da semana passada foi sobre a dificuldade que as mulheres têm de pedir, com todas as letras, o que querem aos homens.
Bom, nessa linha, ontem Victor comentou que o Xico Sá, no seu blog, também falou sobre esse assunto. E hoje ele me mandou o texto, muito bom, que reproduzo aqui, com os devidos direitos autorais...
A ARTE DE PEDIR
Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir.
Como elas pedem gostoso, como elas são boas nisso. Resistir, quem há de?
Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.
Pede que eu dou. Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo. Estou pedindo: pede!
Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis. Não me pede nada simples, faz favor, please. Já que vai pedir, que peça alto. Você merece, uma mulher como essa não tem preço.
Um concerto de Iggy Pop, bem longe? Te levo.
Amor sincero? Fácil, fácil.
Fidelidade? Acabo de criar o seu exclusivo cartão de milhagem.
Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses. Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, 12 vezes sem juros, no pré-datado, no cheque sem fundos.
Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço..., são lindamente barulhentos.
Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.
Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos. “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”
Flores de helicóptero? Como na filosofia do pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!
Pede, benzinho, pede tudo.
Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???
Pede, minha nega, que o amor tudo pode.
Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapa de um belo pedido.
Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte ou fetiche, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência futebol clube.Não é questão de poder ou dinheiro. O que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato.
Eu lhe peço: me pede.
Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara ao mundo das moças. Pede, amorzinho, pede gostoso, sou o senhor das tuas demandas.
Xico Sá
Postado por
Julia
às
18:02
2
comentários
Nesses momentos de transição eu me sinto como numa estação. Desembarcando de algum lugar pra ir pra outro melhor. Acordando de um sonho e encarando a realidade. Nesses momentos de transição é tudo passageiro, porque uma hora a gente tem que embarcar, a gente chega a algum lugar e fica, vive, experiencia e quando quiser, parte. São os famosos "ciclos". Só não gosto dessa palavra porque ciclo me lembra círculo, e andar em círculo significa voltar sempre pro mesmo lugar.

Postado por
Julia
às
00:28
4
comentários
Há dez dias que eu não posto nada. Assim como o blog, tenho estado vazia nesses últimos tempos... Não de conteúdo, mas de coisas que valham a pena ser externadas... Andei um caminho muito árduo nos últimos dias, de auto-conhecimento, encontrando verdades duras e angústias grandes. Analisando meu caminho, olhando pro futuro, pesando minhas escolhas até aqui, especulando sobre as que virão.
Acho que cheguei no fundo do poço. E daqui há sempre uma boa perspectiva: não dá pra ir mais fundo, de agora em diante é só subir. Ou não, pode-se também ficar estacato onde se está, chafurdando numa água turva e confusa. Mas prefiro a visão mais otimista que prevê a ascenção... Sei que desse limbo eu saio, pra tomar decisões, fazer escolhas, determinar o passo.
Afora assuntos deprimentes de ordem interna, há sempre felicidade no mundo. Fim de semana passado a Cau e o Marcão casaram! Foi tudo muito lindo, muito bom. A capela, a cerimônia emocionante, a festança farta de comida, bebida e risadas!
Começou com a viagem de carro pra Ribeirão Preto (naturalidade da noiva), que foi bem cômica, considerando as personagens: Gege (dirigindo), Manu, Carol Marossi (escondida à direita), Dan e eu.
Chegando na cidade, o parto que foi achar o hotel fica à parte. Nos arrumamos para o casório, fomos para a capela numa van. O Gus, o Vina, a Luisa e o Caio estavam no mesmo hotel que a gente, eu dei uma de agente de viagens e organizei nossa estadia.
(vina na van tirando fotos e manu com ares de estrela de cinema!)
Houve uma cerimônia linda (chorei muito, e a Carol também...), o Marco e a Cau estavam radiantes, os pais deles também. Foi tudo muito bonito mesmo. Mas pulemos pra parte da festa que foi a mais divertida. Primeiro que tinha muita comida. MUITA. E também muita bebida (tomei taaaanto espumante!)
(queridas Ju, Manu e Carol - amo!)
A festa foi ótima, a gente ganou aqueles brindezinhos, mas não aqueles iguais a todos os casamentos, tinha colar de havaiana, chapéu de palha de sambista para os homens e umas flores de cabelo lindas pras moças...
Abaixo, foto minha com o noivo....
Na manhã seguinte acordamos pra pegar o café da manhã do hotel. Depois da festança, pra curar ressaca, fomos ao pinguim beber chopp!!! Almoçamos lá, passamos num restaurante onde estavam almoçando as famílias dos recém-casados e voltamos pra São Paulo. Foi um fim de semana divertidíssimo, ficou pra história!
Ps: detalhe pra Manus enlouquecidas na volta da viagem depois de comer fandangos e ficar atacada como um gremilin por causa dos corantes artificiais!!!
Postado por
Julia
às
00:18
0
comentários
Aqui vai a programação completa do Sarau da Vacamarela
Lançamento do número 6 do Jornal O Casulo + Sarau vacamarela
dia 10/08 - 19h30
Programação
19h30 - abertura com o poeta Marcelo Montenegro.
20h00 - sarau vacamarela (Celso Borges e Carol Martins lêem poemas do grupo vacamarela com intervenções do músico Rafael Agra).
20h30 - dois pocket-shows com os músicos Kadu Ayala, e depois, Vinix Leite.
21h15 - sarau aberto ao público. Para participar, inscreva-se na entrada do auditório.
Biblioteca Alceu Amoroso Lima
R. Henrique Schaumann, 777 (esq. com Cardeal Arcoverde)
Na ocasião, haverá distribuição gratuita do número 6 do jornal O Casulo, que traz uma entrevista com Zeca Baleiro, poemas de Angélica Freitas, Marcelo Montenegro e Ronald Polito, e imagens de Luli Penna e Francisco dos Santos.
Espero todos por lá... Múúú!
Postado por
Julia
às
22:37
1 comentários
Há alguns dias sem postar, venho com uma boa notícia. Essa sexta teremos um Sarau na Alceu de Amoroso Lima, com atores, músicos, comes e bebes, etc. Um sarau aberto para o lançamento da Sexta Edição do jornal de poesia, literatura e afins - O CASULO.
Além disso, nesse sarau, será lançada, também a Associação sem fins lucrativos Vacamarela, um apanhado de pessoas que organiza diversos eventos literários em SP, inclusive o próprio Casulo, e a Flap, que se reuniram mais organizadamente nessa associação.
Ah, pro lançamento d'O Casulo 6 contamos com o apoio da Prefeitura de São Paulo, pela Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio do VAI - Valorização de Iniciativas Culturais, da Casa das Rosas e do Observador Cultural .org.
Passados os informes cabíveis, vai um trecho de um poema do maior poeta...
Postado por
Julia
às
13:48
0
comentários
Hoje é aniversário do meu papai, 01/08... Um leonino muito simpático, careca, magrelo, caladão e muito amoroso. Meu papai é foda. Parabéns pra ele, pelos 56 anos. Fomos jantar num restaurante italiano que chama Pasquale, uma delícia, tomamos vinho, comemos muito, teve direito até a fatia de bolo de chocolate com velinhas... É sempre bom comemorar...
Até uns 6 anos de idade eu adorava fazer aniversário. Minha mãe, coruja que era com a primeira filhinha, fazia aquelas festas no salão do prédio onde morávamos, com direito a mesas temáticas. Cada ano era uma princesa ou um filme da Disney...
Até que eu entrei na primeira série primária. Nasci no dia 26 de dezembro, na verdade nas primeiras horas do dia 26. Foi um presente de Natal meio retardado. E por isso, todos os meus aniversário caem nas férias de verão. Ou seja, sempre passava com a família no interior, na ressaca do Natal.
Ninguém aguentava comer mais nada nem beber, e eu sempre ganhava um presente só... Se fossem presentes que valessem por dois, ainda vá lá, mas nunca ganhava nada especial! Claro que meus pais me davam presenteS e meus avós e meu tio Miguel (irmão da minha mãe). Eu era sempre a criança traumatizada pelo aniversário...
No Natal que eu fiz 15 anos, haviam preparado uma comemoração lá em Rolândia, famigerada cidade já citada em posts anteriores, onde eu sempre passo essa época do ano. A gente ia num restaurante, a família toda (é enorme, minha avó tem 8 ou 9 irmãos, eu sempre perco a conta), ia ter bolo e parabéns, nada daquelas comemorações xoxas pós-ceia-do-dia-25 que sempre tinha torta de frango, sorvete e torta de morango (a torta de morango ainda era boa, minha preferida).
Acontece que, alguns dias antes do dia 24, o irmão da minha avó faleceu num trágico acidente de carro. O coitado do tio Toninho era um dos irmãos mais novos, bem querido por todos. E cancelaram minha festa. Que seria surpresa, se minha mãe não tivesse, no dia do meu aniversário, quando ninguém apareceu no jantar da torta de frango na casa da minha avó, me contado que eu tinham planejado uma festa legal que não ia mais acontecer. Coitada de mim, mas mais coitado do Tio Toninho.
Eu sempre me sentia assim nos meus aniversários... Acho que agora já me acostumei, não é?
Postado por
Julia
às
23:08
0
comentários
Eu e a Marocas estamos escrevendo uma coluna semanal num blog. O Tantaprosa nasceu no lançamento do Sarabanda, da Ana, citado alguns posts pra baixo. O Ivan Antunes, do Tatu-bola nos apresentou alguns amigos que iam começar um blog com ele, cada dia um escreveria algo sobre um assunto diferente.
Eu e a Carol não resistimos, como poderia um blog só com homens? Aí decidimos que queríamos participar também, o olhar feminino ou algo assim. A gente sabia que, no fim, só ia ter bobagem na "coluna", mas tá valendo, porque escrever besteira é conosco mesmo!
Aqui vai o rascunho do que eu pensei em postar. Ela ainda vai alterar pra publicar no Tantaprosa, mas queria que o texto que eu escrevi fosse lido aqui também.
Hoje o tópico é a seleção natural e as relações entre mulheres e homens.
Tudo começa com uma anedota. Estávamos na Salsa, Carol e eu, dançando e cuidando dos nossos quadris, quando um homem alto, magro, loiro, de olhos azuis, adentra a pista com uma mocinha até bonita, com cara de brasileira. Ele com uma cara de gringo! Começam a salsar e ele não decepciona, sabe todos os passos direitinho, segura ela pela cintura bem juntinho, todos os "inhos" possíveis para um futuro casal. Ele tinha um olhar apaixonado e dançavam até lascivamente...
Eis que um outro homem, forte, moreno, está encostado numa parede perto do gringo-dançante. Por alguma razão a moça pára de dançar e vai ao bar. Na volta, comprimenta o morenão e fica conversando. O gringo olha, chupando dedo. Olha e espera a parceira de dança. E ela começa a tocar o peito do moreno, dar altas risadas, diríamos até oferecida... Depois de um bom tempo sendo ignorado, o gringo vai até ela, diz que já vai embora. Ela não tá nem aí, diz "tchau então!", se despede e ele sai, desapontado...
Eu olho pras Marocas, que olham de volta pra mim e eu falo: vou atrás dele, tadinho! Tá bem que era um gringo meio magrelo, mas fique com genuína pena dele ser tão descaradamente ignorado pela moça que há 5 minutos se agarrava nele... Achei que ele precisava de uma ajuda na auto-estima. Ele estava no caixa e eu fui pra saída do Conexión Caribe, esperando por ele... Os mojitos fazendo efeito, quanto ele passou por mim, disse sorridente: mas já? É cedo! Ele retruca num sotaque carregado: um outro dia, quem sabe...
É pra me servir de lição. Volto pra pista, Marocas rindo de mim pela minha cara-de-pau, olho pro lado e está a moçoila-que-arrasa-corações-estrangeiros se esfregando num pseudo-merengue com morenaço. E em dois minutos, num daqueles beijos cinematográficos que você pode até ver o tamanho das papilas gustativas...
Ficamos eu e Marocas pensando: pobre do gringo! A gente só sabia que esse ia ser nosso primeiro post, a seleção natural. Nós, cientistas que somos, concluímos que nesse caso, o macho mais forte conseguiu a fêmea disposta a copular, e não teve nem que se esforçar pra isso. Ela foi atraída como um míssil teleguiado até ele, deixando o gringo literalmente na mão.
Dois pontos importantes que servem pra nossa conclusão científica: o moreno tinha cara de cafa e o gringo cara de anjo; o moreno era bem forte, o gringo mais franzino. Fato é, nenhum dos fatores que levaram a mulher a escolher o moreno é garantia de uma boa noite de sexo ou algo que o valha. Na verdade, isso é uma ilusãio dentre as mulheres. Foi consenso entre as que presenciaram o mundo animal do chaveco que o moreno tinha pau pequeno. E que ela estaria, sem dúvida nenhuma, melhor com o gringo. Mas é tudo uma questão de aparência.
Na natureza, as leoas escolhem o leão mais forte, as sapas escolhem o sapo que inchar e parecer maior, o pavão com as penas maiores e mais belas sempre se dá bem. Acontece que quem vê pena não vê pau... ops, coração...
Postado por
Julia
às
01:19
2
comentários




Postado por
Julia
às
22:21
1 comentários
O Amor e o Uso dos Pronomes
meu amor me presenteia com flores esquecidas
na rua
meu amor tem pesadelos pra que eu durma
quentinha
meu amor é um urso com a pelúcia por dentro
meu amor é meu
: porque essa língua é surda
nos enrosca e troça
e só pensa nos possessivos.
Esse poema é de Ana Rüsche, publicado no seu último livro, Sarabanda, que está na minha mesa de cabeceira há alguns dias. A Ana me impressionou muito nesse livro, principalmente em comparação com o anterior, Rasgada. É um livro com estilo único, que tem a escrita da Ana, a cara da Ana, a marca da Ana. Acho que ela encontrou o ritmo, o estilo e a musicalidade própria dela.
Eu até comentava outro dia que quando se lê, por exemplo, um poema de Fernando Pessoa sem saber quem é o autor, é possível saber que é o Pessoa, pelo poema. Com a Ana eu senti a mesma coisa. Se me dessem o Sarabanda pra ler sem me dizer o nome da autora, eu provavelmente arriscaria um "É da Ana?".
Não sei porque esse poema é meu preferido. Só me tocou muito! Ontem à eu lia e relia e quando percebi chorava sem parar. A tristeza das flores esquecidas, a raiva dos pesadelos, a aspereza do urso...
A Ana brinca com os pronomes e o poema é dela, só dela.
Postado por
Julia
às
16:50
4
comentários
Postado por
Julia
às
01:58
2
comentários
Bom, resolvi postar a terceira e última coisa que as pessoas não sabem sobre mim. Terceira porque obviamente estou indo na ordem numérica, e última porque não tenho mais nenhum segredo. Então eu pensei, se eu cumprir metade da maldição, o Coelho Gigante não vai me matar, só me causar lesões corporais graves (ou gravíssimas, isso é que dá estudar Direito).
Eu estava andando hoje na rua, saindo da Secretaria Municipal de Cultura, onde estagio na Assessoria Jurídica, uma chuvona, vários guardas-chuva se trombando (AnaR, qual é o plural correto de guarda-chuva?), meu all-star se molhando e conseqüentemente molhando minhas meias, vários meninos de rua deitados nas poças d'água, enquanto umas senhoras entravam num bingo bem brega e um cara me chamava pra entrar num cinema pornô que tem por lá... Estava tudo muito frio, cinza e sujo. E aí que eu percebi que isso era, resumidamente, como eu via a minha vida. Fria, cinza, umas poças sujas pelo meio do caminho, intercaladas por algumas coisas coloridas e divertidas, engraçadas... Entrei no carro quase chorando, não sei bem porque.
Fiquei pensando "O que é que eu estou fazendo nesse estágio, nessa faculdade, nesse carro? Por que é tão difícil ser feliz com o que eu tenho?" The grass is always greener on the other side. "Por que não me contentar com o fato de que tenho uma casa boa pra morar, uma família que me ama, uma faculdade que, ainda que mal, ensina alguma coisa?" The grass is always greener on the other side. "Por que é que eu não posso ser uma mulher linda, arrasadora?" The grass is always greener on the other side. The grass is always greener on the other side. The grass is always greener on the other side. Por que, por que, por que...
Não sei a resposta de nada disso, e honestamente nem quero saber. A minha revelação de hoje é que cansei de perguntar esses porque's e que de agora em diante, nãoquero mais estar infeliz... Me considero uma pessoa que, apesar de ter bons momentos, estava, no fundo, infeliz, e já faz um tempo que isso acontecia. Obóvio que já fui feliz, mas quero ser de novo, quero ser mais. Tenho conseguido ultimamente, amigos poetas e afins têm ajudado demais. Mas agora nada de ficar olhando pra trás, pra relações fracassadas, pra "e se...", pras frustrações da faculdade, pra nada do que deu errado. As coisas vão começar a dar certo daqui em diante, nem que seja na marra.
E chega de posts confessionais, que saco, isso aqui tá mais parecendo terapia de grupo que blog... Não vou mais escrever coisas que as pessoas não sabem sobre mim... Até porque não há mais nada. Que venha o Coelinho do Donnie Darko!!! Como diz a Carol Marossi, "coelinho, se eu fosse igual a tu, tirava a mão do bolso e enfiava a mão no... coelinho..."
Estou ouvindo: Los Hermanos - Primeiro Andar
Postado por
Julia
às
00:41
3
comentários