29 setembro 2007

Mais um outro poema

Escrevi presenciando uma discussão na Av. São João às 22h00. Surreal


Revelação

Quem já viu
dois mudos
brigando

sabe o que são mãos gritando.

26 setembro 2007

Mais um poema

Zeus


Não é porque a lua se perdeu em ti
Que agora és seu dono.

Deixa que me ilumine um pouco
Guie, sorria, cresça e
mingüe.

Não é porque o Sol explodiu em ti
Que agora és seu senhor.

Deixa que me queime um pouco
Brilhe, nasça, culmine e
ponha.

Não é porque o mar fluiu de ti
Que agora és seu mestre.

Deixa que me molhe um pouco
Corra, suba, encha e
baixe.

Careço de ciclos,
os ciclos
os ciclos...

21 setembro 2007

Desafio

A Aninha-Quati-linda lançou lá no blog dela, o Peixe de Aquário, o desafio de escrever um poema sobre a formação do mundo em 2 linhas.

Aqui vai minha tentativa:

Zeus

És senhor do mundo
Deixa que brilhe, nasça, culmine e ponha

Alguém se topa desafiar? Coloquem suas tentativas nos comentários!

Mais um:

disse o homem

Ele me deu o mundo
mas esqueceu o manual de instruções...

19 setembro 2007

Poesia

Desapego

Deixar pra trás as flores ofertadas,
as óperas bradadas,
as fotografias amareladas,
as comidas digeridas.

Abandonar os hábitos arraigados,
os filmes chorados,
os telefonemas recebidos,
os presentes dados.

Mas nunca se esquecer
da paixão revelada
do amor feito
e da dor partida.

12 setembro 2007

Cartografia Literária - A VACA

A VacAmarela estrelará a próxima sessão do Cartografia Literária no Sesc Consolação, amanhã, às 19h30. Haverá leitura de poemas, intercalada com uma entevista com os membros do Coletivo. O mediador é o Marcelino Freire. Evento gratuito, recomendo! (principalmente porque estarei lá na leitura!)




10 setembro 2007

Porque hoje é sábado (era quando escrevi)

Hoje é sábado, amanhã é domingo, e eu estou aqui escrevendo, plagiando o Vinícius (de Moraes, não o Davidovitch, que é sempre bom esclarecer caso haja egos inflados por aí...).

E ninguém mais apropriado que o mulherengo mais famoso do Brasil para ser o muso-inspirador dessa coluna semanal. Adoro o Vinícius, porque além de mulherengo, era o maior beberrão (diga-se de passagem, característica que muito se assemelha a esta colaboradora que vos escreve).

Mas voltando ao tópico (se é que ele existe) vou falar de “relações pessoais”. É claro que esse assutno pode ser muito estimulante, como pode ser escasso. Sobre relacionamentos, não que eu seja uma conselheira amorosa certificada pela Associação dos Desiludidos, mas acho que posso às vezes apontar uma luz no fim do túnel para alguns desesperados. Ou não, e apenas dar o empurrãozinho pra pular da ponte, nunca se sabe o que os discursos honestos femininos podem fazer com alguém mais sensível.

Principalmente quando se fala de homem. “Os bares estão repletos de homens vazios”. E o poetinha estava certíssimo. Me pergunto como vocês, cuecas, são capazes de, às vezes, ser tão vazios. Não, queridos homens, não pulem da ponte. Pelo menos não ainda!!! Não é um ataque amargurado a ninguém, nem discurso de ressentimento. E não é uma generalização. É uma constatação do óbvio, como diria Ana Rüsche (plagiando o Paulo Ferraz).

Um exemplo clássico de homem esvaziado é o tipo mulherengo que eu apelido de “metralhadora sem bala”. É capaz de atirar pra todo lado, mas acaba não acertando ninguém. Eventualmente até pode acertar um alvo... Mas o mais comum é que ele seja acertado pela moça mais moderninha que se arriscar.O fracasso desse 'tipo' se dá, principalmente, quando as investidas são entre moçoilas de um mesmo círculo. É bem vazio mesmo achar que a moça-alvo não percebe a falta de exclusividade das cantadas, e pior, achar que se ela percebe, o atirador ainda tem chances tem sucesso com algumas das convives.

O pior meeeesmo é quando o metralhador não desiste, e começa o assédio... Assediar a moça-alvo numa tentativa desesperada é bem comum. E patético. Como achar que se conquista uma senhora (das respeitáveis) passando a mão na bunda? Tudo hipoteticamente falando, é claro.

Tem também o desdém... Desdenhar o alvo quando ela fala, muito lucidamente, da falta de critério do atirador, afirmando que mulher nenhuma (das respeitáveis) quer homem que atira pra todo lado... Aí desdenha, achando que se fizer pouco caso a moça cede. Cede nada!!! Quem desdenha quer comprar já diria Esopo.

E tem até a negação... “Não, não, nunca dei em cima!”. Deixe, deixe, a gente sabe que deu. E sabe que quer!Tem quem diga que a necessidade de disseminar (literalmente falando) a espécie que move o metralhador-vazio pra todos os lados. Eu particularmente acho desculpa esfarrapada pra aumentar as possibilidades de se dar bem com um mínimo esforço. Não se empenha com ninguém, mas tenta com todo mundo.

O que esse tipo não percebe é que, no fim, as possibilidades de acertar um alvo sendo um franco-atirador são muito maiores. Ainda que o franco-atirador tenha muito mais trabalho (e paciência) na conquista da moça, sua taxa de sucesso deve ser muito superior à de uma metralhadora sem balas...

Mas isso é só empirismo. Um dia ainda vou provar cientificamente as vantagens de ser franco-atirador...

06 setembro 2007

Um Poema...

Antelación del amor

Ni la intimidad de tu frente clara como una fiesta
ni la privanza de tu cuerpo, aún misterioso y tácito y de niña,
ni la sucesión de tu vida situándose en palabras o acallamiento
serán favor tan persuasivo de ideas
como el mirar tu sueño implicado
en la vigilia de mis ávidos brazos.
Virgen milagrosamente otra vez por la virtud absolutoria del sueño,
quieta y resplandeciente como una dicha en la selección del recuerdo,
me darás esa orilla de tu vida que tú misma no tienes,
Arrojado a la quietud
divisaré esa playa última de tu ser
y te veré por vez primera quizás como Dios ha de verte,
desbaratada la ficción del Tiempo
sin el amor, sin mí.

Jorge Luis Borges

03 setembro 2007

Mad cow...

Esqueci de dizer que as fotos dos post de baixo são minhas, experimentos com uma orquídea que tava na mesa do hall de entrada do prédio hehe...

Ontem teve a inauguração do CAD 2007 na Casa das Rosas (Casa, Arte e Design), tipo um Casa Cor. Eles decoraram todos os ambientes da Casa das Rosas, construíram um restaurante aos fundos, ficou tudo lindo, muito legal mesmo. Aí vão algumas fotos da manada de vacas loucas que invadiram o evento regado a prosecco e petisquinhos chic... Detalhe que o Ivan só tomou Ballentines. Nas palavras dele, pobre quando vê coisa bacana fica bebinho. Então posso dizer que somos todos pobres na Vacamarela hahaha!



















Eu e o Renan fingindo tirar foto pro Ivan clicar a velha que tá ao fundo. O Ivanito catou a velha mais tarde, e o marido da coroa tava do lado! hahaha Parece que ela é artista plástica e nos convidou pra exposição de suas obras dia 13. Pena que estaremos no Cartografia Literária lá no SESC Consolação. Depois conto mais.



















A mesa da Vacamarela... Eu não sai na foto porque estava tirando... Detalhe pro Ivan pegando a coroa-artista-plástica. Donny, Andréa Catrópa, Snoopy ao lado do "casal"... Embaixo a Ana Paula Ferraz, AnaR bebinha, Victor, Renan e Lilian.



















Eu e o Renanzito numa foto séria. HAHAHAHA



















Foto que o Snoopy tirou... Andréa, eu, Ivanito recebendo chifrinhos do Donny...



















Grande parte do pessoal da Vaca e mais umas pessoas X. Nem sei porque eu não saí na foto...

Diga MUUUUU!

27 agosto 2007

Delicadezas



















A Marocas agora tem também um fotolog. Acho que chama Delicadezas. Inspirada nisso, vim falar de algo que o fotolog dela me lembrou... (nossa, só falo das Marocas aqui no Quati né?)

Acho que delicadeza é algo que falta muito na nossa vida hoje em dia. Poderia até dizer "na vida pós-moderna", mas como ainda não decidi como eu me sinto sobre esse termo, prefiro dizer "na atualidade" hehehe. Sou boa no tucanês ou o que?

Acho que falta um "bom dia" e um sorriso no elevador, um segurar a porta pra quem tá entrando ou saindo. Um dar passagem pra um pedestre apressado, ou pra um carro saindo da garagem. Falta dizer obrigada, até logo, desculpe... Quantas vezes por dia a gente não esquece disso tudo? Mas até parece que estou aqui dando aulas de etiqueta... Não é não.

Quero falar das delicadezas mais esquecidas como lavar a louça pra mãe que chega tarde do trabalho, ou arrumar a mesa do café pro pai que levanta cedo... Ajudar a irmã a revisar uma redação, ou mesmo a escolher uma roupa.

Falta também delicadeza nas relações amorosas. No cuidado que deveria se ter com as palavras, considerando que são bem capazes de assumir formas de navalha, dependendo da situação. Delicadeza boa de se ganhar um pedaço de cheesecake a troco de nada. E nem ter nada pra retribuir e não precisar retribuir! Só o sorriso sujo de calda...

Tem também a delicadeza da amizade... Temos amigos sutis como elefantes, mas alguns dignos de admiração! Aquele que pede pra você ligar avisando que chegou bem em casa, ou pelo menos mandar um SMS. Aquele que se oferece pra dividir o estacionamento, se oferece pra dar colo, mesmo precisando de colo, que se joga quando você se joga! E sem medo do que acontece depois...

Quero mais a delicadeza de um telefonema, de um email, de um scrap. Quero a delicadeza de um abraço, de um beijo, de um carinho. Quero a delicadeza de um mimo, de uma surpresa, de um presentinho. Quero a delicadeza de um poema, uma música, uma cena. Quero a delicadeza de um livro, um CD, uma fita VHS.

Tenho lançado algumas campanhas. No Tantaprosa (ei, olha a propaganda aí, gente!) lancei a campanha pela honestidade nas relações. Acho que melhorei o conceito e re-lanço essa campanha pela honestidade e delicadeza nas relações.

Quero a delicadeza de uma fotografia.

26 agosto 2007

Pedido

Como vocês sabem, eu e a Marocas postamos às terças-feiras no blog Tantaprosa. O post da semana passada foi sobre a dificuldade que as mulheres têm de pedir, com todas as letras, o que querem aos homens.

Bom, nessa linha, ontem Victor comentou que o Xico Sá, no seu blog, também falou sobre esse assunto. E hoje ele me mandou o texto, muito bom, que reproduzo aqui, com os devidos direitos autorais...

A ARTE DE PEDIR
Uma das maiores virtudes de uma fêmea é arte de pedir.
Como elas pedem gostoso, como elas são boas nisso. Resistir, quem há de?
Um simples “posso pegar essa cadeira, moço?” vira um épico. É o jeito de pedir, o ritmo da interrogação, a certeza de um “sim” estampado na covinha do sorriso.
Pede que eu dou. Pede todas as jóias da Tiffany´s, minha bonequinha de luxo. Estou pedindo: pede!
Eu imploro, eu lhe peço todos os seus pedidos mais difíceis. Não me pede nada simples, faz favor, please. Já que vai pedir, que peça alto. Você merece, uma mulher como essa não tem preço.
Um concerto de Iggy Pop, bem longe? Te levo.
Amor sincero? Fácil, fácil.
Fidelidade? Acabo de criar o seu exclusivo cartão de milhagem.
Como é lindo uma mulher pedindo o impossível, o que não está ao alcance, o que não está dentro das nossas posses. Podemos não ter onde cair morto, mas damos um jeito, um truque, 12 vezes sem juros, no pré-datado, no cheque sem fundos.
Até aqueles pedidos silenciosos, quando amarra a fitinha do Senhor do Bonfim no braço..., são lindamente barulhentos.
Homem que é homem vira o gênio da lâmpada diante de uma mulher que pede o impossível.
Ah, quero o batom vermelho dos teus pedidos mais obscenos. “Amor, posso te pedir uma coisa? Posso mesmo?”
Flores de helicóptero? Como na filosofia do pára-choque, o que você pede chorando que não faço sorrindo?!
Pede, benzinho, pede tudo.
Que eu largue a boemia, pare de beber e me regenere???
Pede, minha nega, que o amor tudo pode.
Mesmo as que têm mais poder de posse que todos nós não escapa de um belo pedido.
Com estas, as mais poderosas, tem ainda mais graça. Elas pedem só por esporte ou fetiche, o que não lhes comprometem a pose e muito menos a independência futebol clube.Não é questão de poder ou dinheiro. O que importa é o pedido em si, o romantismo que há guardado no ato.
Eu lhe peço: me pede.
Não pede mimos baratos, pede atenção, por exemplo, essa mercadoria tão cara ao mundo das moças. Pede, amorzinho, pede gostoso, sou o senhor das tuas demandas.

Xico Sá

21 agosto 2007

Tem dias...















Chega uma hora que a gente precisa encarar a verdade. Nem sempre é na hora certa da vida. Quando é muito cedo, não temos maturidade pra lidar com a dura realidade, com toda a responsabilidade que se encontrar com o verdadeiro acarreta. Já quando é muito tarde, não temos mais a vontade e talvez a força de provocar mudanças na nossa vida pra nos adaptarmos ao real.
Creio que pra mim chegou num momento certo. Descobrir a minha verdade e me apropriar da minha vontade foi um passo muito grande. 20 anos me parece uma boa idade. Acho que não é cedo, afinal já passei por algumas encruzilhadas essenciais na vida de um "jovem". Por outro lado, não é tarde demais para se mudar de rumo e criar um novo caminho.
É um processo lento e dolorido esse de se conscientizar de si próprio, de se despir das expectativas alheias e aliviar as (o)pressões sutis do dia-a-dia. É algo que se constrói com lágrima, com briga, com quebra e com perda. Mas que também leva a crescimento, a conhecimento, a paz.














Nesses momentos de transição eu me sinto como numa estação. Desembarcando de algum lugar pra ir pra outro melhor. Acordando de um sonho e encarando a realidade. Nesses momentos de transição é tudo passageiro, porque uma hora a gente tem que embarcar, a gente chega a algum lugar e fica, vive, experiencia e quando quiser, parte. São os famosos "ciclos". Só não gosto dessa palavra porque ciclo me lembra círculo, e andar em círculo significa voltar sempre pro mesmo lugar.

Não, não quero andar em círculos, não quero voltar ao mesmo lugar. A gente tem é que andar em espiral. E tem hora que a gente passa por momentos de indefinição de trajeto, direção, sentido, objetivo. Como se estivéssemos perdidos no metrô de Londres procurando qual linha pegar pra ir pra qual intersecção, pra depois seguir pro nosso destinho. E é isso que eu chamo de transição, estar na plataforma pra pegar o nosso novo rumo.

Eu estou na plataforma. Tenho que comprar a passagem e escolher meu trajeto. Em qual trem subir?

Se esse rumo assim foi feito, sem aprumo e sem destino
Saio fora desse leito, desafio e desafino
Mudo a sorte do meu canto, mudo o norte dessa estrada
Em meu povo não há santo, não há força, não há forte
Não há morte, não há nada que me faça sofrer tanto
Vai, violeiro, me leva pra outro lugar
Eu também quero um dia poder levar
Toda gente que virá
Caminhando, procurando
Na certeza de encontrar





17 agosto 2007

Há dez dias que eu não posto nada. Assim como o blog, tenho estado vazia nesses últimos tempos... Não de conteúdo, mas de coisas que valham a pena ser externadas... Andei um caminho muito árduo nos últimos dias, de auto-conhecimento, encontrando verdades duras e angústias grandes. Analisando meu caminho, olhando pro futuro, pesando minhas escolhas até aqui, especulando sobre as que virão.

Acho que cheguei no fundo do poço. E daqui há sempre uma boa perspectiva: não dá pra ir mais fundo, de agora em diante é só subir. Ou não, pode-se também ficar estacato onde se está, chafurdando numa água turva e confusa. Mas prefiro a visão mais otimista que prevê a ascenção... Sei que desse limbo eu saio, pra tomar decisões, fazer escolhas, determinar o passo.

Afora assuntos deprimentes de ordem interna, há sempre felicidade no mundo. Fim de semana passado a Cau e o Marcão casaram! Foi tudo muito lindo, muito bom. A capela, a cerimônia emocionante, a festança farta de comida, bebida e risadas!

Começou com a viagem de carro pra Ribeirão Preto (naturalidade da noiva), que foi bem cômica, considerando as personagens: Gege (dirigindo), Manu, Carol Marossi (escondida à direita), Dan e eu.














Chegando na cidade, o parto que foi achar o hotel fica à parte. Nos arrumamos para o casório, fomos para a capela numa van. O Gus, o Vina, a Luisa e o Caio estavam no mesmo hotel que a gente, eu dei uma de agente de viagens e organizei nossa estadia.

(vina na van tirando fotos e manu com ares de estrela de cinema!)



















Houve uma cerimônia linda (chorei muito, e a Carol também...), o Marco e a Cau estavam radiantes, os pais deles também. Foi tudo muito bonito mesmo. Mas pulemos pra parte da festa que foi a mais divertida. Primeiro que tinha muita comida. MUITA. E também muita bebida (tomei taaaanto espumante!)

(queridas Ju, Manu e Carol - amo!)
















A festa foi ótima, a gente ganou aqueles brindezinhos, mas não aqueles iguais a todos os casamentos, tinha colar de havaiana, chapéu de palha de sambista para os homens e umas flores de cabelo lindas pras moças...

Abaixo, foto minha com o noivo....

















Na manhã seguinte acordamos pra pegar o café da manhã do hotel. Depois da festança, pra curar ressaca, fomos ao pinguim beber chopp!!! Almoçamos lá, passamos num restaurante onde estavam almoçando as famílias dos recém-casados e voltamos pra São Paulo. Foi um fim de semana divertidíssimo, ficou pra história!


















Ps: detalhe pra Manus enlouquecidas na volta da viagem depois de comer fandangos e ficar atacada como um gremilin por causa dos corantes artificiais!!!

07 agosto 2007

De novo o Sarau

Aqui vai a programação completa do Sarau da Vacamarela

Lançamento do número 6 do Jornal O Casulo + Sarau vacamarela
dia 10/08 - 19h30

Programação

19h30 - abertura com o poeta Marcelo Montenegro.

20h00 - sarau vacamarela (Celso Borges e Carol Martins lêem poemas do grupo vacamarela com intervenções do músico Rafael Agra).

20h30 - dois pocket-shows com os músicos Kadu Ayala, e depois, Vinix Leite.

21h15 - sarau aberto ao público. Para participar, inscreva-se na entrada do auditório.

Biblioteca Alceu Amoroso Lima
R. Henrique Schaumann, 777 (esq. com Cardeal Arcoverde)

Na ocasião, haverá distribuição gratuita do número 6 do jornal O Casulo, que traz uma entrevista com Zeca Baleiro, poemas de Angélica Freitas, Marcelo Montenegro e Ronald Polito, e imagens de Luli Penna e Francisco dos Santos.


Espero todos por lá... Múúú!

06 agosto 2007

Sarau: Vacamarela!

Há alguns dias sem postar, venho com uma boa notícia. Essa sexta teremos um Sarau na Alceu de Amoroso Lima, com atores, músicos, comes e bebes, etc. Um sarau aberto para o lançamento da Sexta Edição do jornal de poesia, literatura e afins - O CASULO.




















Além disso, nesse sarau, será lançada, também a Associação sem fins lucrativos Vacamarela, um apanhado de pessoas que organiza diversos eventos literários em SP, inclusive o próprio Casulo, e a Flap, que se reuniram mais organizadamente nessa associação.

Ah, pro lançamento d'O Casulo 6 contamos com o apoio da Prefeitura de São Paulo, pela Secretaria Municipal de Cultura, com o apoio do VAI - Valorização de Iniciativas Culturais, da Casa das Rosas e do Observador Cultural .org.












Passados os informes cabíveis, vai um trecho de um poema do maior poeta...

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo...
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura...

01 agosto 2007

Happy birthday to you!

Hoje é aniversário do meu papai, 01/08... Um leonino muito simpático, careca, magrelo, caladão e muito amoroso. Meu papai é foda. Parabéns pra ele, pelos 56 anos. Fomos jantar num restaurante italiano que chama Pasquale, uma delícia, tomamos vinho, comemos muito, teve direito até a fatia de bolo de chocolate com velinhas... É sempre bom comemorar...













Até uns 6 anos de idade eu adorava fazer aniversário. Minha mãe, coruja que era com a primeira filhinha, fazia aquelas festas no salão do prédio onde morávamos, com direito a mesas temáticas. Cada ano era uma princesa ou um filme da Disney...

Até que eu entrei na primeira série primária. Nasci no dia 26 de dezembro, na verdade nas primeiras horas do dia 26. Foi um presente de Natal meio retardado. E por isso, todos os meus aniversário caem nas férias de verão. Ou seja, sempre passava com a família no interior, na ressaca do Natal.

Ninguém aguentava comer mais nada nem beber, e eu sempre ganhava um presente só... Se fossem presentes que valessem por dois, ainda vá lá, mas nunca ganhava nada especial! Claro que meus pais me davam presenteS e meus avós e meu tio Miguel (irmão da minha mãe). Eu era sempre a criança traumatizada pelo aniversário...














No Natal que eu fiz 15 anos, haviam preparado uma comemoração lá em Rolândia, famigerada cidade já citada em posts anteriores, onde eu sempre passo essa época do ano. A gente ia num restaurante, a família toda (é enorme, minha avó tem 8 ou 9 irmãos, eu sempre perco a conta), ia ter bolo e parabéns, nada daquelas comemorações xoxas pós-ceia-do-dia-25 que sempre tinha torta de frango, sorvete e torta de morango (a torta de morango ainda era boa, minha preferida).

Acontece que, alguns dias antes do dia 24, o irmão da minha avó faleceu num trágico acidente de carro. O coitado do tio Toninho era um dos irmãos mais novos, bem querido por todos. E cancelaram minha festa. Que seria surpresa, se minha mãe não tivesse, no dia do meu aniversário, quando ninguém apareceu no jantar da torta de frango na casa da minha avó, me contado que eu tinham planejado uma festa legal que não ia mais acontecer. Coitada de mim, mas mais coitado do Tio Toninho.

Eu sempre me sentia assim nos meus aniversários... Acho que agora já me acostumei, não é?

31 julho 2007

O Tantaprosa e o Darwin

Eu e a Marocas estamos escrevendo uma coluna semanal num blog. O Tantaprosa nasceu no lançamento do Sarabanda, da Ana, citado alguns posts pra baixo. O Ivan Antunes, do Tatu-bola nos apresentou alguns amigos que iam começar um blog com ele, cada dia um escreveria algo sobre um assunto diferente.

Eu e a Carol não resistimos, como poderia um blog só com homens? Aí decidimos que queríamos participar também, o olhar feminino ou algo assim. A gente sabia que, no fim, só ia ter bobagem na "coluna", mas tá valendo, porque escrever besteira é conosco mesmo!

Aqui vai o rascunho do que eu pensei em postar. Ela ainda vai alterar pra publicar no Tantaprosa, mas queria que o texto que eu escrevi fosse lido aqui também.

Hoje o tópico é a seleção natural e as relações entre mulheres e homens.

Tudo começa com uma anedota. Estávamos na Salsa, Carol e eu, dançando e cuidando dos nossos quadris, quando um homem alto, magro, loiro, de olhos azuis, adentra a pista com uma mocinha até bonita, com cara de brasileira. Ele com uma cara de gringo! Começam a salsar e ele não decepciona, sabe todos os passos direitinho, segura ela pela cintura bem juntinho, todos os "inhos" possíveis para um futuro casal. Ele tinha um olhar apaixonado e dançavam até lascivamente...

Eis que um outro homem, forte, moreno, está encostado numa parede perto do gringo-dançante. Por alguma razão a moça pára de dançar e vai ao bar. Na volta, comprimenta o morenão e fica conversando. O gringo olha, chupando dedo. Olha e espera a parceira de dança. E ela começa a tocar o peito do moreno, dar altas risadas, diríamos até oferecida... Depois de um bom tempo sendo ignorado, o gringo vai até ela, diz que já vai embora. Ela não tá nem aí, diz "tchau então!", se despede e ele sai, desapontado...

Eu olho pras Marocas, que olham de volta pra mim e eu falo: vou atrás dele, tadinho! Tá bem que era um gringo meio magrelo, mas fique com genuína pena dele ser tão descaradamente ignorado pela moça que há 5 minutos se agarrava nele... Achei que ele precisava de uma ajuda na auto-estima. Ele estava no caixa e eu fui pra saída do Conexión Caribe, esperando por ele... Os mojitos fazendo efeito, quanto ele passou por mim, disse sorridente: mas já? É cedo! Ele retruca num sotaque carregado: um outro dia, quem sabe...

É pra me servir de lição. Volto pra pista, Marocas rindo de mim pela minha cara-de-pau, olho pro lado e está a moçoila-que-arrasa-corações-estrangeiros se esfregando num pseudo-merengue com morenaço. E em dois minutos, num daqueles beijos cinematográficos que você pode até ver o tamanho das papilas gustativas...

Ficamos eu e Marocas pensando: pobre do gringo! A gente só sabia que esse ia ser nosso primeiro post, a seleção natural. Nós, cientistas que somos, concluímos que nesse caso, o macho mais forte conseguiu a fêmea disposta a copular, e não teve nem que se esforçar pra isso. Ela foi atraída como um míssil teleguiado até ele, deixando o gringo literalmente na mão.

Dois pontos importantes que servem pra nossa conclusão científica: o moreno tinha cara de cafa e o gringo cara de anjo; o moreno era bem forte, o gringo mais franzino. Fato é, nenhum dos fatores que levaram a mulher a escolher o moreno é garantia de uma boa noite de sexo ou algo que o valha. Na verdade, isso é uma ilusãio dentre as mulheres. Foi consenso entre as que presenciaram o mundo animal do chaveco que o moreno tinha pau pequeno. E que ela estaria, sem dúvida nenhuma, melhor com o gringo. Mas é tudo uma questão de aparência.

Na natureza, as leoas escolhem o leão mais forte, as sapas escolhem o sapo que inchar e parecer maior, o pavão com as penas maiores e mais belas sempre se dá bem. Acontece que quem vê pena não vê pau... ops, coração...

30 julho 2007

Luto em 8mm

Hoje morreu Ingamar Bergman. Fiquei muito triste, afinal ele foi um dos elementos que culminou na minha cinefilia... Pra quem assiste Two and a Half Man (um seriado) isso faz sentido: Oi, meu nome é Julia, tenho 20 anos, e minha empregada disse que eu sou cinéfila... O primeiro passo é admitir que você tem um problema, certo?
Acho que um dos primeiros filmes chamados de "cult" que eu assisti foi Morangos Silvestres... É um filme meio auto-biográfico, muito sensível, belo, cheio de referências à psicanálise, parece um sonho. Daí fui ver O Sétimo Selo, Fanny e Alexander, Cenas de um Casamento...













Desse sueco passei a assistir filmes de um alemão fantástico, Werner Herzog. Não, não é o Herzog que foi morto na ditadura, não sei nem quantas vezes já ouvi "Ué, ele era cineasta?"...
O Herzog de quem eu falo dirigiu Fitzcarraldo, que foi filmado aqui no Brasil em Manaus, e é muito bom; Fata Morgana, que é um filme difícil de descrever, pois não há uma história central; O Enigma de Kaspar Hauser, que é sobre um um jovem que de repente aparece no meio de um mercado em Nuremberg e é "adotado" por um nobre, com quem aprende a falar, a comer, pois antes vivera sua vida num celeiro, mantido cativo por um "homem de preto"; Aguirre, que fala de uma insana expedição para Eldorado; e Heart of Glass (não sei a tradução) que fala de uma fábrica de vidros e cristais numa cidadezinha de interior e os segredos do falecido dono.












Do Herzog fiquei mais light e comecei a explorar o Altman, cara fantástico que influencia toda uma geração. Não sei se fui só eu que achei Magnólia muito encharcado de Altman... O primeiro que eu vi, e o mais clássico, foi Shortcuts. Esse filme é um que eu não canso de assistir...













Mas o cineasta que eu mais adoro e acho que consegui assistir em torno de 80% da obra é o Fellini. Assim, conheço desde criança, mas só consegui apreciar com uns 16 anos... Foi quando descobri o Kubrick também, afinal, Clockwork Orange não é pra qualquer um... Aí com essas coleção de cineastas eu passei a ser cinéfila. Era um filme novo toda semana. Me lembro até de ter feito um site sobre o Kubrick e outro sobre Fellini, fantástico...













Amarcord foi o primeiro filme do Fellini que eu vi, devia ter, sei lá, meus 12 anos. Eu não entendi muito do filme não, era meio surrealístico, parecia uma mistura de Buñuel com Picasso... Mas fui me interessando cada vez mais, assisti então Satyricon, filme meio doido sobre a Roma na época do Pão e Circo. Um filme bem de embrulhar estômago, mas nada como Calígula. Ainda assim fiquei muito impressionada. Ao mesmo tempo, assisti a Clockwork Orange, o que acho que contribuiu para a minha fascinação por cinema. Tanta coisa pra ser retratada em algumas falas e imagens e músicas juntos, com 100 minutos de duração!













A partir daquele momento Fellini virou paixão. Otto Mezzo (8 1/2), E La Nave Va, Le Notti di Cabiria, I Viteloni, La Strada, I Clowns, Giulietta Degli Spiriti, Ginger e Fred, Casanova, Roma, La Citta Delle Donne, são alguns que eu consigo citar de cabeça, e também, são meus preferidos.

Recomendo!




28 julho 2007

My life, my love

O Amor e o Uso dos Pronomes


meu amor me presenteia com flores esquecidas
na rua
meu amor tem pesadelos pra que eu durma
quentinha
meu amor é um urso com a pelúcia por dentro


meu amor é meu
: porque essa língua é surda
nos enrosca e troça
e só pensa nos possessivos.


Esse poema é de Ana Rüsche, publicado no seu último livro, Sarabanda, que está na minha mesa de cabeceira há alguns dias. A Ana me impressionou muito nesse livro, principalmente em comparação com o anterior, Rasgada. É um livro com estilo único, que tem a escrita da Ana, a cara da Ana, a marca da Ana. Acho que ela encontrou o ritmo, o estilo e a musicalidade própria dela.

Eu até comentava outro dia que quando se lê, por exemplo, um poema de Fernando Pessoa sem saber quem é o autor, é possível saber que é o Pessoa, pelo poema. Com a Ana eu senti a mesma coisa. Se me dessem o Sarabanda pra ler sem me dizer o nome da autora, eu provavelmente arriscaria um "É da Ana?".

Não sei porque esse poema é meu preferido. Só me tocou muito! Ontem à eu lia e relia e quando percebi chorava sem parar. A tristeza das flores esquecidas, a raiva dos pesadelos, a aspereza do urso...

A Ana brinca com os pronomes e o poema é dela, só dela.

26 julho 2007

Thank God it's Wednesday

Adoro quartas-feiras (Aninha, e agora, o plural tá certo?), anseio por esse dia.

Quarta é dia de despir-me de todo o preconceito, de todas as máscaras, de todas as inibições, de toda falsidade, de toda postura e compstura.

Quarta é dia de libertar-me dos demônios, de espantar os fantasmas, de matar minhas assombrações e encontrar paz.

Quarta feira, o dia do meio da semana, é o dia de buscar o equilíbrio, de desabafar e ficar mais leve, de escutar. De lágrimas. De falar descontroladamente. E falar palavrão.

Quarta é sempre dia de me encontrar e me perder em mim mesma, nas minhas alucinações e divagações. Quarta é dia de contar o final de um filme muito bom...

Quarta é também dia de silêncio, aquele silêncio que incomoda porque a gente sabe que tem algo a ser revelado, mas não tem coragem nem vontade de enxergar. É também, às vezes, o dia em quem a gente se permite entrar em contato com aquilo que incomoda e dói.

Quarta à noite é minha hora, só comigo, de frente no espelho, cutucando feridas, resgatando memórias, superando traumas. Eu de frente comigo mesma. Me enfrentando, me confrontando, me consolando e me cuidando. Eu me destruindo e me re-construindo aos pouquinhos.

Quarta é dia de... terapia.

24 julho 2007

A Maldição do Coelinho III - Redux, Reloaded ou Revolution?

Bom, resolvi postar a terceira e última coisa que as pessoas não sabem sobre mim. Terceira porque obviamente estou indo na ordem numérica, e última porque não tenho mais nenhum segredo. Então eu pensei, se eu cumprir metade da maldição, o Coelho Gigante não vai me matar, só me causar lesões corporais graves (ou gravíssimas, isso é que dá estudar Direito).

Eu estava andando hoje na rua, saindo da Secretaria Municipal de Cultura, onde estagio na Assessoria Jurídica, uma chuvona, vários guardas-chuva se trombando (AnaR, qual é o plural correto de guarda-chuva?), meu all-star se molhando e conseqüentemente molhando minhas meias, vários meninos de rua deitados nas poças d'água, enquanto umas senhoras entravam num bingo bem brega e um cara me chamava pra entrar num cinema pornô que tem por lá... Estava tudo muito frio, cinza e sujo. E aí que eu percebi que isso era, resumidamente, como eu via a minha vida. Fria, cinza, umas poças sujas pelo meio do caminho, intercaladas por algumas coisas coloridas e divertidas, engraçadas... Entrei no carro quase chorando, não sei bem porque.

Fiquei pensando "O que é que eu estou fazendo nesse estágio, nessa faculdade, nesse carro? Por que é tão difícil ser feliz com o que eu tenho?" The grass is always greener on the other side. "Por que não me contentar com o fato de que tenho uma casa boa pra morar, uma família que me ama, uma faculdade que, ainda que mal, ensina alguma coisa?" The grass is always greener on the other side. "Por que é que eu não posso ser uma mulher linda, arrasadora?" The grass is always greener on the other side. The grass is always greener on the other side. The grass is always greener on the other side. Por que, por que, por que...

Não sei a resposta de nada disso, e honestamente nem quero saber. A minha revelação de hoje é que cansei de perguntar esses porque's e que de agora em diante, nãoquero mais estar infeliz... Me considero uma pessoa que, apesar de ter bons momentos, estava, no fundo, infeliz, e já faz um tempo que isso acontecia. Obóvio que já fui feliz, mas quero ser de novo, quero ser mais. Tenho conseguido ultimamente, amigos poetas e afins têm ajudado demais. Mas agora nada de ficar olhando pra trás, pra relações fracassadas, pra "e se...", pras frustrações da faculdade, pra nada do que deu errado. As coisas vão começar a dar certo daqui em diante, nem que seja na marra.

E chega de posts confessionais, que saco, isso aqui tá mais parecendo terapia de grupo que blog... Não vou mais escrever coisas que as pessoas não sabem sobre mim... Até porque não há mais nada. Que venha o Coelinho do Donnie Darko!!! Como diz a Carol Marossi, "coelinho, se eu fosse igual a tu, tirava a mão do bolso e enfiava a mão no... coelinho..."

Estou ouvindo: Los Hermanos - Primeiro Andar